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Opinião: As crianças de hoje preferem a tecnologia ao invés de brincar como antigamente?

Já é bastante comum, principalmente em eventos familiares, ver crianças vidradas em seus aparelhos tecnológicos, sem conversar ou interagir com outras crianças que, por sua vez, também estão concentradas em seus aparelhos. Este tipo de cena costuma gerar comentários que comparam a infância de hoje com a infância de gerações passadas. “No meu tempo, crianças brincavam.”, é o mais comum deles.

Antes de qualquer argumento, gosto de lembrar que as brincadeiras e os brinquedos infantis evoluem conforme a sociedade avança. Os primeiros brinquedos da história eram feitos com ossos de animais, pois era o único material que tinha disponível na época. Assim, conforme a humanidade foi avançando, passamos pelos brinquedos caseiros e, com a revolução industrial, surgiram os brinquedos fabricados em massa. Hoje, com a revolução tecnológica, não seria estranho se a tecnologia invadisse os brinquedos infantis. Acredito que, se os tablets e os smartphones tivessem surgidos quando éramos crianças, também ficaríamos “vidrados” neles.

A CULPA É DAS CRIANÇAS?

Se hoje as crianças não brincam com brincadeiras consideradas mais saudáveis, precisamos ter ciência que somos nós, os adultos, os responsáveis por isso. Fomos nós que poluímos os espaços públicos, geramos a violência urbana e procuramos cada vez mais por conveniência. Falo isso porque, para muitos pais, é muito mais conveniente dar um aparelho tecnológico com mil e uma utilidades do que ensinar a garotada a brincar. É mais prático porque, se o pequeno enjoar, é só comprar um novo jogo ou baixar um novo vídeo que o interesse dela retoma e ela deixa de “incomodar”. Nem to dizendo de muitos responsáveis que entopem as crianças com atividades extracurriculares, impondo-as agendas mais apertadas que de muitos adultos.

Se hoje as crianças não brincam com brincadeiras consideradas mais saudáveis, precisamos ter ciência que somos nós, os adultos, os responsáveis por isso.

Se hoje as crianças não brincam com brincadeiras consideradas mais saudáveis, precisamos ter ciência que somos nós, os adultos, os responsáveis por isso.

E OS MINI ADULTOS?

Antes de criar o Nosso Clubinho, ouvia falar muito das crianças adultas, ou mini adultos, como também eram referenciadas. Era uma forma de como tratavam a criança moderna, que não gostava mais de brincar e que preferia fazer coisas de adulto, deixando aquela criança lúdica no passado. Um grande exemplo na época era a Maísa Silva, que apresentava um programa no SBT com pouca idade. Cheguei acreditar que a ludicidade estava apenas nas crianças bem pequenas.

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Diziam que a criança não era mais lúdica e que preferia coisas de adulto a coisas de crianças. Cheguei acreditar que a ludicidade estava apenas nas crianças bem pequenas.

Quando tive a oportunidade de estagiar e, depois, lecionar para crianças, comecei a perceber que essa coisa de criança adulta não passava de conversa fiada. Quando comecei a entrar no universo infantil, inclusive no dos maiores, percebi que tinha muito do lúdico dentro da garotada. Seria exagero da minha parte se eu dissesse que parecia que muitos deles me pediam “socorro” porque queriam simplesmente serem crianças, mas estavam sendo oprimidos pela tecnologia e por excesso de responsabilidades.  Vejo que criança ainda quer ser criança, por exemplo, quando vejo o brilho nos olhos da garotada de sete a nove anos quando ganha um balão do Nosso Clubinho. Cheguei a desenvolver um jogo americano com atividades para os pequenos e distribui juntamente com giz de cera em alguns restaurantes da minha cidade. Depois de um tempo, ouvi relato dos proprietários dos estabelecimentos dizendo que a maioria das crianças deixava de brincar com o tablet para brincar com o meu material. A maioria das rejeições ao produto era de pais que preferiam ver seus filhos viciados em um aparelho tecnológico por pura conveniência, pois não queriam se envolver com o filho nas atividades.

Vejo isso até hoje pelo brilho nos olhos da garotada de sete a nove anos quando ganha um balão do Nosso Clubinho.

Vejo isso até hoje pelo brilho nos olhos da garotada de sete a nove anos quando ganha um balão do Nosso Clubinho.

HÁ SALVAÇÃO?

É fato que a criança prefere os aparelhos tecnológicos, simplesmente, porque não sabe brincar de outra coisa. Então, sempre quando tenho contato com um menino ou uma menina, ensino uma brincadeira. Fico feliz quando vejo a mesma pedindo para repetir ou ensinando outras crianças a brincarem com o que ensinei. Acredito que este é a nossa missão, como recreadores e professores, ensinar brincadeiras do nosso tempo para que a garotada tenha outras opções de entretenimento além da tecnologia. Está disposto a entrar comigo para resgatar as brincadeiras de criança?

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